Disputa esquenta na reta final Com a queda de Dilma na pesquisa Datafolha, analistas divergem sobre sua participação no debate da Rede Globo
Uma vitória dada como certa nestas eleições, já no primeiro turno, era a da petista Dilma Rousseff. Entretanto, os mais recentes números da pesquisa Datafolha abrem a real possibilidade de a disputa só ser definida no último domingo de outubro, exigindo reações de quem está no comando das campanhas.
Indefinição, tensão e expectativa também em relação à disputa para as duas vagas cearenses no Senado, em que Tasso Jereissati (PSDB), Eunício Oliveira (PMDB) e José Pimentel (PT) aparecem embolados, segundo a última pesquisa O POVO/Datafolha.
No âmbito da disputa nacional, analistas divergem sobre a postura que Dilma Rousseff deve adotar. Enquanto o professor David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB), defende que a petista deve responder a todos os ataques – principalmente aos que a vinculam com o escândalo da Casa Civil - e participar do último debate antes das eleições, que será exibido amanhã pela Rede Globo, o professor Adolpho Queiroz, da Universidade Metodista de São Paulo, acredita que Dilma precisa se preservar. E mais: faltar ao debate da Globo.
“Eu acho que, se ela não for ao debate, ganha a eleição. Se for, vai ter de responder perguntas espinhosas. É melhor manter a dúvida do que ter de responder que foi guerrilheira, roubou banco, matou gente. Ficaria muito caro a essa altura do campeonato. Faltar seria uma fuga estratégica”, avalia.
Vale lembrar que, em 2006, até os últimos instantes que antecederam o debate da Globo, pairou a dúvida sobre a participação ou não do presidente Lula, que tentava reeleição. O petista acabou faltando, seus adversários centraram ataques, e a eleição não foi definida no primeiro turno. “Não sei se a história se repete”, pondera o analista.
Já Fleischer afirma que, se Dilma não for ao debate, será tachada de covarde. “Ela não pode fugir ao debate. Tem de permanecer firme, defender suas posições e não se esquivar dos ataques”, desta. Já Serra, segundo ele, precisa continuar explorando as denúncias de lobby na Casa Civil, que resultaram na saída da então ministra Erenice Guerra. “O caso da violação dos sigilos, para o eleitor comum, é difícil de entender. Mas propina o povo entende melhor”.
De acordo com a última pesquisa Datafolha, Dilma recuou de 54% para 51% dos votos válidos em cinco dias. Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, ela pode ir a 49%, o que levaria a disputa para o segundo turno.
Senado
Na disputa pelas duas vagas no Senado que se abrem em 2011, o quadro é ainda de mais indefinição. Ciente do crescimento de seus principais adversários, Tasso – que costuma se guiar por pesquisas internas – declarou, no último fim de semana, voto para Alexandre Pereira, candidato ao Senado pelo PPS. Desta forma, tenta evitar que o seu eleitor dê o segundo voto para Eunício ou Pimentel, seus concorrentes diretos.
E como em time que está vencendo (no caso, crescendo) não se mexe, os candidatos do PT e do PMDB manterão a mesma estratégia até o fim da campanha. Segundo as assessorias de Eunício e Pimentel, o pedido de votos continuará casado, com o petista dando ênfase ao chamado “setembro vermelho”, sua principal arma eleitoral.
Professor universitário e piracicabano, Adolpho Queiroz, 54 anos, irá assumir a presidência do Salão Internacional de Humor de Piracicaba na edição de 2011. O anúncio oficial do nome será feito sexta-feira (3), durante a abertura da exposição do cartunista Ziraldo, que virá a Piracicaba.
A indicação foi feita pela secretária municipal de Ação Cultural, Rosângela Camolese, e submetida à aprovação do Conselho Consultivo do Salão. “Propusemos o Adolpho porque ele é um dos que participaram do início do Salão, vem acompanhando ao longo de todos esses anos, mas nunca havia sido presidente”, disse Rosângela.
Queiroz recebeu “com alegria” o comunicado e se sentiu lisonjeado. “Participo em diversos cargos há vários anos, mas nunca como presidente. Fiz algumas ponderações à Rosângela e devemos nos reunir no dia 11, já para falar sobre os planos para o 38° Salão”, comentou o professor.
ATUAÇÃO. O trabalho de Adolpho Queiroz deve permanecer no campo das ideias e no fortalecimento de amizades que possam beneficiar a realização do evento.
Por conta do trabalho, ele vive a maior parte da semana em São Paulo, como professor no curso de pós-graduação da Universidade Metodista de São Paulo e no curso de Publicidade, na Mackenzie.
Ele ainda integra o conselho curador da Intercom (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação), preside a Politicom (Sociedade Brasileira dos Pesquisadores e Profissionais de Comunicação e Marketing Político), além de integrar a Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop).
Por causa desses compromissos, Queiroz deve contar com forte apoio do vice-presidente, Luís Antonio Lopes Fagundes (Fagundinho), que atualmente preside o Salão.
MUDANÇA. Rosângela Camolese disse que a troca de presidentes do Salão é uma ação do conselho consultivo, que prefere prezar pela alternativa.
“Adolpho será um presidente de honra e já encaminhou diversas ideias para nos adiantarmos para 2011”, falou.
Entre as ideias apresentadas por Queiroz, estão a proposta de privilegiar o trabalho de um cartunista piracicabano na execução do cartaz de divulgação do evento do próximo ano; convidar os ganhadores dos Grandes Prêmios Zélio (este ano foi Tiago Hoisel Ferraz), para atuar como jurado; destinar um prêmio intitulado Alceu Righetto ao trabalho selecionado por júri popular; e ampliar a visibilidade do Salão usando recursos da Internet.
Ziraldo abre mostra de telas na sexta
O consagrado cartunista Ziraldo Alves Pinto, criador de “O Menino Maluquinho”, “ Turma do Pererê” e outras histórias, estará em Piracicaba na próxima sexta-feira (3), às 20 horas, no Armazém 14-A Eugênio Nardin, no Engenho Central, para abrir sua mostra inédita. Intitulada “Ziraldo: Onomatopeia”, a exposição é composta por um conjunto de 13 telas de um metro quadrado, que exploram com muita criatividade o universo das onomatopeias, figuras de linguagem na qual se reproduz um som com um fonema ou palavra.
A 37ª edição do Salão Internacional de Humor de Piracicaba está sendo homenageada pelo cartunista com a apresentação dessas peças, um marco na rica carreira do artista.
São explosivas, surpreendentes, repousantes e outras chegam a provocar impacto. Um achado belo e criativo como trabalho gráfico, agora na tela.
Ziraldo apresentará esse trabalho em primeira mão para Piracicaba.
SERVIÇO
Abertura da exposição “Ziraldo: Onomatopeias”. Sexta (3), às 20 horas, no Armazém 14-A do Engenho Central.
Visitação: terça a sexta, das 14 às 21 horas; sábados, domingos e feriados, das 10 às 21 horas.
Acesso pela Passarela Pênsil, ponte do Mirante ou avenida Maurice Allain.
37° Salão de Humor. Armazém 14, mesmos horários e acessos.
Feras das tiras analisam a liberdade na charge jornalística A representação da vontade de criticar que todos nós temos, a expressão mais eloquente da liberdade, um gênero jornalístico marcado pela análise e estilo pessoal, uma arma silenciosa ou o cinema feito à mão por um cara só. Estas foram apenas algumas definições que fizeram parte do painel Charge Jornalística: Cartum, Liberdade e Poder, um dos últimos a ocorrer no 33º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), encerrado ontem na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Para discutir o tema, quatro nomes de peso da caricatura, charge e cartum brasileiros, os gaúchos Santiago, Edgar Vasques, Canini e Celso Schröeder, e ainda o jornalista português e representante da Associação Ibero-Americana de Comunicação Luis Humberto e o professor Adolpho Queiroz foram convidados.
Dividindo o papel de humoristas com o de jornalistas, cartunistas e chargistas usam seus traços a favor da crítica desde muito tempo.
– O primeiro jornalismo impresso que houve na história foi a charge – comentou Vasques.
O tema liberdade e poder veio a calhar numa área da arte/jornalismo que sempre sofreu com a censura. Conforme o chargista Santiago, não existe humor a favor, ele deve ser sempre contra, é regra criticar tudo e todos. Mas isso costuma implicar em problemas, principalmente no que diz respeito ao modelo de jornalismo atual.
– A charge opinativa é inviável nos jornais de hoje, que são muito mais empresas do que imprensa. Vejo humoristas reclamando (sobre a lei eleitoral que impede a ridicularização de candidatos políticos), mas muitos deles são censurados no dia a dia, dentro da empresa em que trabalham, e ficam quietos. É hipocrisia – criticou Santiago, que considera a internet e a literatura melhores plataformas para a charge.
A visível capacidade de síntese e de fazer rir na medida em que expõe contradições pode ser o que coloca a charge e o cartum na mira das censuras.
– Alguns jornais são incapazes de absorver a crítica, de produzir reflexão no leitor. A charge não pode ser enquadrada nesse ou naquele interesse – disse Schröeder.
Ao longo do debate, não faltaram análises sobre as especificidades do humor gráfico, mescladas com histórias marcantes da trajetória dos profissionais da opinião desenhada. Luis Humberto, o único da mesa não ligado diretamente à área do desenho, resumiu o importante papel dos colegas no jornalismo:
– Os cartunistas são aqueles que põem o dedo na ferida chamando a atenção para situações, sobretudo àquelas em que o poder se sobrepõe à sociedade. A charge é uma crônica que lida com a deformação ou amplificação de elementos atuais.
Caras do cartum Feras das tiras analisam a liberdade na charge jornalística
A representação da vontade de criticar que todos nós temos, a expressão mais eloquente da liberdade, um gênero jornalístico marcado pela análise e estilo pessoal, uma arma silenciosa ou o cinema feito à mão por um cara só. Estas foram apenas algumas definições que fizeram parte do painel Charge Jornalística: Cartum, Liberdade e Poder, um dos últimos a ocorrer no 33º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), encerrado ontem na Universidade de Caxias do Sul (UCS). Para discutir o tema, quatro nomes de peso da caricatura, charge e cartum brasileiros, os gaúchos Santiago, Edgar Vasques, Canini e Celso Schröeder, e ainda o jornalista português e representante da Associação Ibero-Americana de Comunicação Luis Humberto e o professor Adolpho Queiroz foram convidados.
Dividindo o papel de humoristas com o de jornalistas, cartunistas e chargistas usam seus traços a favor da crítica desde muito tempo.
– O primeiro jornalismo impresso que houve na história foi a charge – comentou Vasques.
O tema liberdade e poder veio a calhar numa área da arte/jornalismo que sempre sofreu com a censura. Conforme o chargista Santiago, não existe humor a favor, ele deve ser sempre contra, é regra criticar tudo e todos. Mas isso costuma implicar em problemas, principalmente no que diz respeito ao modelo de jornalismo atual.
– A charge opinativa é inviável nos jornais de hoje, que são muito mais empresas do que imprensa. Vejo humoristas reclamando (sobre a lei eleitoral que impede a ridicularização de candidatos políticos), mas muitos deles são censurados no dia a dia, dentro da empresa em que trabalham, e ficam quietos. É hipocrisia – criticou Santiago, que considera a internet e a literatura melhores plataformas para a charge.
A visível capacidade de síntese e de fazer rir na medida em que expõe contradições pode ser o que coloca a charge e o cartum na mira das censuras.
– Alguns jornais são incapazes de absorver a crítica, de produzir reflexão no leitor. A charge não pode ser enquadrada nesse ou naquele interesse – disse Schröeder.
Ao longo do debate, não faltaram análises sobre as especificidades do humor gráfico, mescladas com histórias marcantes da trajetória dos profissionais da opinião desenhada. Luis Humberto, o único da mesa não ligado diretamente à área do desenho, resumiu o importante papel dos colegas no jornalismo:
– Os cartunistas são aqueles que põem o dedo na ferida chamando a atenção para situações, sobretudo àquelas em que o poder se sobrepõe à sociedade. A charge é uma crônica que lida com a deformação ou amplificação de elementos atuais.
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